segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Julian Casablancas - Phrazes for the Young (2009)

Quando os Strokes apareceram para o mundo em 2001 com o disco "Is This It", ninguém parecia preparado para as suas letras displicentes, suas guitarras ágeis e timbres viciantes. A banda foi quase instantaneamente elevada ao posto de salvadora do rock (o que, devo concordar, foi em parte verdade) e seu cabeça, Julian Casablancas, à categoria de messias, de novo gênio. Nisso, entretanto, nunca acreditei: a música do Strokes foi o resultado de um uma excelente e inspirada combinação de músicos e não do talento isolado de seu vocalista. E se algo pode ajudar a provar isso é o debut solo recém lançado de Julian Casablancas, um trabalho indiscutivelmente mediano, frente às pérolas produzidas pelo quinteto de Nova York.


Quem apostava em mais do mesmo se surpreende ao ouvir "Phrazes for the Young". O disco viaja na órbita de Strokes em uma elipse: ora aproxima-se da sonoridade da banda, ora afasta-se tanto quanto se pode imaginar, usando como combustível as (muitas) influências de Jules e escancarando (em altos e baixos) sua formação musical: que vai da música de raiz americana, o soul, blues, country a tudo que remete aos anos 80.

Os baixos vêm primeiro. O disco começa pouco empolgante e um tanto repetitivo com "Out of the Blue" e "Left & Right in the Dark" , ambas excessivamente lineares, acertando nos refrões, mas pecando em versos massantes. O hit "11th Dimension", que vem logo em seguida, corre na direção oposta: é uma viagem aos anos 80, com sintetizadores e arranjos excelentes, bons versos e, novamente, um excelente refrão.

Inspirado ou não, Julian Casablancas ao menos surpreende com as músicas seguintes, todas seguindo por caminhos claramente proibidos nos Strokes. "4 Chords of the Apocalypse" é uma total contra expectativa e uma bela surpresa. Com um título que sugere algo realmente pesado, ouvimos na verdade uma bela canção soul (veja, não inspirada em soul, mas 100% soul) embalada por teclados angelicais. "Ludlow St." vem em seguida: é uma confusa mistura entre folk e country que, apesar de mal concebida, nos presenteia com um Julian cantando com banjos caipiras ao fundo, algo minimamente bizarro/interessante.


Com a frenética "River of Breaklights", "Phrazes for the Young" realmente empolga pela primeira vez: se não é a melhor música do disco, tem, sem sombra para dúvidas, o melhor refrão. A emocional (e chata) "Glass", com monótonos órgãos de tubos, e a arrastada (e também chata) "Tourist" encerram este disco, que não tem qualquer unidade: é um claro acúmulo dos impulsos criativos de Julian Casablancas, que provam o que já deveria se saber: Jules é melhor com os Strokes.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quase Famosos

Um relato de Gerhard Brêda de sua viagem aos estúdios da MTV em São Paulo ao lado da banda Tereza, vencedora do Festival Universitário MTV.

“Lembre-se: você é o inimigo”, me diz Vinicius Louzada, vocalista da banda Tereza, a vencedora do Festival Universitário MTV, com uma voz rouca e intimidadora durante uma parada no longo caminho que separa o Rio de Janeiro de São Paulo. Não era uma ameaça, era apenas a primeira de muitas citações de cultura pop que os rapazes da banda dispararam pelo caminho. Não que eles, selados quase hermeticamente em suas calças skinny, sejam figuras particularmente intimidantes ou avessas à imprensa. Louzada estava apenas citando o filme Quase famosos, no qual um repórter da Rolling Stone sai em turnê com uma banda para escrever uma reportagem.

Vinicius Louzada é uma pessoa difícil. Uma excentricidade espontânea que beira a insanidade esconde um rapaz até bastante comum. Vestido com botas de couro, um chapéu e uma jaqueta, Louzada projeta uma imagem de rockstar. “Essa jaqueta é velha, comprei em um brechó. É dos anos 80, veja minhas pregas”, diz em tom jocoso, apontando para as pregas da jaqueta. “Ainda tenho minhas pregas”, completa a piada. Entre um uísque e um cigarro, Louzada canta Space Oddity, do David Bowie.

Mateus Sanches, um dos guitarristas, parece ter saltado diretamente dos anos 70. Sua franja reta, cabelos compridos e barba farta contrastam violentamente com o videogame portátil que carrega. “O Mateus é nosso mestre Pokémon”, comenta Vinicius Louzada, enquanto Sanches detalha efusivamente o treinamento de seus monstros virtuais.

João Volpi, o baixista do Tereza, ostenta um frondoso bigode. “Eu tinha barba comprida, mas agora resolvi deixar apenas o bigode”, esclarece o músico. Isso explica porque, em momentos de tensão, Volpi coça uma barba inexistente. Velhos hábitos.

A banda, no saguão do hotel

Sávio Azambuja, o outro guitarrista, ajuda a quebrar o gelo com histórias pessoais. “Na auto-escola, eu dirigia e levava meu instrutor para o motel, depois ficava esperando”, conta o músico, arrancando gargalhadas. Com uma camisa social semi aberta e usando um óculos Ray-Ban, Sávio transparecia uma imagem de bon-vivant.

Rodrigo Martins senta na penúltima fileira da van. Na banda, fica atrás dos outros músicos, comandando a bateria. O rapaz fala pouco, talvez concentrado nas empolgantes batalhas que Sanches conjurava com seus Pokémons. “Já estamos chegando?” era a pergunta padrão de Rodrigo a cada centena de metros.

Os cinco rapazes do Tereza, acompanhados do amigo e produtor Leonardo Marcolino, iam em direção a São Paulo realizar um sonho de muitas bandas independentes: se apresentar na MTV. Mais especificamente, eles tocariam ao vivo no Acesso MTV, apresentado por Léo Madeira, Sofia Reis e Kika, como prêmio por terem sido os vencedores do Festival Universitário MTV.

Formada por amigos de infância, a Tereza deriva seu nome de uma paixão nunca consumada de todos os membros. “Em algum momento, todos fomos apaixonados pela Tereza”, explica João Volpi. O som da banda é difícil de ser descrito. É algo antigo, com ares sessentistas, mas ainda assim moderno. Isso é provavelmente reflexo do gosto musical dos rapazes. “Eu ouço muito rock antigo, The Who, The Zombies... mas também gosto de algumas coisas pós anos 2000, como Moldy Peaches, Strokes. Gosto muito de coisas lo-fi”, explica Mateus Sanches. “Em comum, a gente gosta de coisas como Libertines, Arcade Fire, Kings of Leon e Vampire Weekend”, diz João Volpi.

Antes da participação no Acesso MTV, a Tereza sente a ansiedade bater. Muito concentrados, os rapazes discutem o repertório minuciosamente. “Não, estas duas músicas não deveriam ficar juntas, as duas tem palmas”, diz Mateus Sanches, visivelmente preocupado. Com tudo resolvido, os rapazes passam o som e tentam conter a ansiedade.

Como todos os momentos que criam expectativas enormes, a participação no Acesso MTV pareceu acabar em um piscar de olhos. No pequeno palco, a Tereza explodiu. Era visível e palpável a empolgação dos rapazes, seja nos backvocals bradados a plenos pulmões, seja na performance explosiva de Vinicius Louzada. O vocalista encara a câmera, dança, sacode a cabeça, parece possuído. “Eu amo a câmera. Ela, infelizmente, não me ama”, brinca. A bateria econômica de Rodrigo encaixa perfeitamente com o baixo encorpado de João Volpi, enquanto os riffs precisos de Mateus Sanches se entrelaçam com a base harmônica urgente de Sávio Azambuja. A voz rouca de Louzada coroa toda a performance com uma sujeira sincera e essencialmente rock’n’roll.

O Tereza mostra seu som no Acesso MTV

Depois da participação da banda no Acesso, os rapazes gravam uma bem humorada vídeo-aula, ensinando a tocar uma de suas músicas. “Primeiro, você faz um fá. Depois, um dó. Agora é complicado, pois você volta pro fá. Depois, outro dó”, explica Sávio Azambuja. “Nós não temos músicas difíceis”, destaca o guitarrista.

Saindo da MTV, os rapazes sentem que o dever foi cumprido. A ansiedade paralisante de outrora dá lugar à impaciência. Compreensível. Serão mais de seis horas em uma van, fazendo a jornada de volta. “Agora é concentrar na gravação do clipe, em terminar o CD e fazer o site”, determina João Volpi. A Tereza tem um plano. “Quero ficar rico e famoso rápido”, reclama Rodrigo Martins após algumas horas na van. Bem, podem não estar ricos. Mas estão famosos. Ou quase.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Festival do Rio: guerra, guitarra, guerrilha

Com o final de mais um Festival do Rio, resta a sensação já esperada e, talvez, compartilhada por quase todo mundo: muitos filmes deixaram de ser vistos! Mas ok. Além do saldo deste ano ter sido superior em relação ao ano passado (ao menos para mim), a boa notícia é que poucos dos filmes que assisti realmente decepcionaram. Abaixo, comentários sobre três deles:

Tyson - Um documentário bem feito e sem frescura, como, aliás, seu protagonista já pressupõe. No filme, somente imagens de arquivo e uma longa entrevista com a maior celebridade dos ringues de todos os tempos. Como não poderia deixar de ser, somos apresentados à história de Mike Tyson desde sua infância como meliante no Brooklyn, passando pelo início de sua carreira ao ser treinado por seu mentor Cus D'Amato, chegando finalmente ao seu apogeu e declínio, marcado por intrigas pessoais.

No início conta-se um pouco da sua infância nas ruas, quando é acolhido por Cus que o recebe em sua casa, como membro da família. Tyson entra então num regime de treinamento intenso, momento no qual passa por uma verdadeira lavagem cerebral com o seu treinador, que via potencial imenso nele. Tyson é uma pessoa extremamente marcada e traumatizada por sua infância nas ruas e Cus consegue converter todo o seu medo em raiva nos ringues.

Na verdade é uma lógica simples: Cus condiciona a mente de Tyson, sem deixar isso claro obviamente, a enxergar o inimigo a sua frente como uma imagem das gangues, bandidos e assassinos que teve de enfrentar quando era criança nas ruas, criando nele um instinto primário de "matar ou morrer" e instigando uma motivação maior que a luta para sair vitorioso. É genial. O curioso é que Tyson reconhece e é grato por isso. Considera Cus a pessoa mais importante de sua vida, o mais próximo que já teve de família.

É possível imaginar portanto o quanto a sua morte representou para ele. Nesse momento do documentário vemos o gigante chorar, ao narrar aquele período, quando tinha apenas 19 anos e estava em vias de se tornar campeão mundial. Em seguida somos apresentados ao início de sua carreira, uma fase que eu por exemplo pouco conhecia. Tyson ser transforma em uma verdadeira máquina de lutar e passa a ganhar todas as lutas promovidas por seus empresários. Com pouco mais de 20 anos já está milionário e com a unidade dos títulos mundiais dos pesos pesados, literalmente colecionando cinturões.

Chega então a parte na qual a minha geração está mais familiarizada, onde vemos um Mike menos glorioso profissionalmente e em declínio profissional. Isso culmina no escândalo no qual é acusado de estupro e acaba preso por 3 anos. Infelizmente, mas por razões compreensíveis, esse tema passa meio batido no documentário, com Mike se limitando a dizer que era inocente. Verdade ou não, o escândalo atinge Tyson profundamente e, depois do episódio, percebemos aumentar seu desinteresse pelo boxe.

A partir daí Mike confessa que passa a lutar mais por dinheiro do que para vencer. Ele diz: "Não tenho mais essa raiva dentro de mim. Perdi o espírito de guerreiro." É então quando ele volta aos treinos, mas acaba perdendo lutas que jamais perderia se estivesse em forma. Nesse ponto o filme trás a tona algumas surpresas, como a verdade (obviamente parcial) sobre o episódio da luta com Evander Holyfield, quando Tyson morde-lhe um pedaço da orelha. Tyson explica na entrevista que somente perdeu o controle na luta depois de levar insistentes cabeças que lhe cortavam o rosto.

Um detalhe parece cortar todo o documentário. Somos apresentados ao um Mike Tyson muito mais inteligente do que podia se esperar. Embora essa inteligência não se evidencie pela fala (Tyson fala tão bem quanto deve dançar balé), é possível perceber toda a sua sagacidade pela sua agilidade de raciocínio. Ele explica que isso não é somente a sua principal ferramente nos ringues, mas também fora dele.

It Might Get Loud - Trata-se de um documentário musical, estrelado pelos guitarristas Jimmy Page (Led Zeppelin, Yardbirds), The Edge (U2) e Jack White (White Stripes, Racounters, The Dead Weather). O longa procura explorar a mística em torno da guitarra enquanto protagonista na filosofia do rock, tomando a história das bandas e dos personagens como plano de fundo. Por razões óbvias, minhas expectativas eram altíssimas com esse filme e, surpreendentemente, foram superadas.

Ele é composto por algumas entrevistas individuais com cada músico, nas quais eles explicam um pouco da sua trajetória na música e a maneira como se envolveram com o instrumento. Depois temos longas conversas com cada um dos músicos a caminho do encontro com os demais para uma "jam session". Finalmente, eles se encontram. E então, meus caros, temos ouro! Esse é certamente o ponto alto do filme que, infelizmente, é sub-aproveitado, curto demais, quase um anti-clímax.

Nessa parte, somos presenteados com algumas cenas memoráveis, marcadas por gestos simples dos músicos e capturadas com maestria pelo diretor Davis Guggenheim. Em certo momento, Jimmy Page passa um trecho de acordes com The Edge, que o observa compenetrado como um menino aprendendo com o mestre. O sorriso sutil no canto do seu rosto já valeria o filme. E o documentário é feito desses momentos. Momentos de admiração sincera, que não caem em sentimentalismo ou saudosismos baratos.

O diretor também consegue explorar muito bem a diferença com que cada guitarrista enxerga o seu instrumento. Jimmy Page é o "virtuoso", tão familiarizado com o instrumento que parece fazer parte dele de alguma forma. The Edge é mais "tecnológico" mais ligado às possibilidades que os efeitos podem trazer ao som da guitarra. Uma de suas frases é marcante e absolutamente genial: "Deixo todos loucos tentando fazer com que o som que escuto dentro da minha cabeça saia pelos auto-falantes".

Mas quem rouba a cena é mesmo Jack White que, por sua vez, é completamente avesso a qualquer tecnologia. Curiosamente, por ser o mais novo do grupo, é o que mais valoriza as origens do instrumento e do rock'n'roll. Para ele, no começo de tudo não importava o que você tocava, valia somente a mensagem que desejava passar. O que White sugere, muito bem por sinal, é que o rock é o gênero musical mais visceral que se conhece, e talvez venha perdendo essa essência. Em certo momento ele diz que na verdade luta com a guitarra, e não a toca. Mais uma vez, genial.

Por último, vale ressaltar que o filme também apresenta uma fotografia muito bonita e uma trilha sonora muito bem pensada, que foge completamente do óbvio. Davis Guggenheim conseguiu transmitir através da música o verdadeiro sentido da guitarra para os músicos, que não é estético. A trilha, mais atmosférica do que musical propriamente, representa muito bem a mensagem que é passada nas entrelinhas com o documentário.

Che 2 - Apesar de ser um filme extremamente monótono, é preciso dar crédito a Soderbergh por conseguir retratar a história de Che com fidelidade e sem falsos horoísmos. A continuação da saga biográfica de um dos maiores ícones da história da humanidade (atrás, imagino, somente de Jesus) é contada com precisão histórica cirúrgica, pelo que meus poucos, porém consolidados, conhecimentos da sua história me permitem afirmar.

Não há nada nesse filme, de verdade. Não há mega explosões, não há conflitos psicológicos, não há chantagens, não há clímax, reviravoltas espetaculares ou mesmo cenas de grande apelo emocional. Tudo o que vemos é a história de Ernesto Che Guevara traduzida em imagens. E isso é suficiente? Para o diretor Steven Soderbergh, sim. Em diversas entrevistas ele disse que esse era o seu objetivo central.

Obviamente não esperava que o diretor surtasse e mudasse uma das histórias mais conhecidas deste planeta afim de satisfazer alguns bobalhões da cultura pop que, como eu, anseiam por sangue, explosões, e uma trama de arrancar os cabelos. Mas, convenhamos, alguns floreios não seriam mal vistos. Não vejo razão, por exemplo, para o diretor não nos presentar com takes de Benício Del Toro em digamos, "poses" famosas capturadas por Che Guevara.

Senti muita falta também dos "flashfowards" históricos que haviam no primeiro filme. Eles davam uma dimensão histórica e mais global àquela história (apresentada de maneira local) de uma maneira muito interessante. Soderberg também dissera que faria da continuação um filme menos ambicioso, mas acredito que perdeu muito com a falta desses pequenos detalhes que seriam capaz de agradar a um público mais amplo e não só a entusiastas de sua biografia.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mojitos, carisma e pés de galinha

Com Chad Smith (Red Hot Chilli Peppers) na bateria, Sammy Hagar (ex-Van Halen) nos vocais, Michael Anthony (também ex-Van Halen) no baixo, e Joe Satriani na guitarra, o Chickenfoot é possivelmente a reunião de músicos mais bizarra ou, ao menos, inusitada dos últimos anos. O grupo é da Califórnia, mas na verdade nasceu de jams que a dupla ex-Van Halen fazia com Chad no bar de Sammy no México.

O cenário você pode imaginar. O clube está lotado. O tiozão Hagar balança ferozmente suas madeixas loiras no palco para uma platéia ensandecida, regada a mojitos. Seu vocal estridente transporta todos, inevitavelmente, aos shows de sua antiga banda nos anos 80. Michael Anthony, ao seu lado, sorri e relembra os bons tempos, quando seus “mullets” eram mais fartos. Mais atrás, boa praça, Chad Smith está visivelmente satisfeito em esmurrar com força sua bateria, como o Red Hot raramente lhe permite.

Joe Satriani, Chad "Will Farrel" Smith e os tiozões
Sammy Hagar e Michael Anthony

O show acaba e a platéia, em êxtase, ovaciona o trio, que sai do palco em direção à mesa livre mais próxima, não sem antes comprimentar umas dezenas de fãs e amigos. Satisfeitos, e acompanhados de groupies da melhor qualidade, eles conversam e relembram histórias. Umas cervejas pra cá, uns mojitos pra lá e BAM! Surge a idéia! Por que não gravar um disco!?

- Mas, bicho, e quem vai pra guitarra solo? - pergunta Sammy Hagar.

- Vamos chamar o Joe, ele já está careca de tocar com a gente! – responde Chad, sob gargalhadas.

A história pode não ser exatamente essa, mas a verdade é que foi mais ou menos assim que nasceu a superbanda do momento, de uma brincadeira. Mas ficou sério. Os caras lançaram, sob alta expectativa nos EUA, seu primeiro disco no dia 5 de junho. O debut, ainda sem previsão para chegar ao Brasil, decepciona no primeiro contato: não escutamos nada de muito inovador aqui, como era de se esperar da “superbanda”. Por outro lado, em segunda análise, o que era defeito se torna o verdadeiro trunfo do disco.


A falta de qualquer pretensão senão produzir rock’n’roll da melhor qualidade é, de certa forma refrescante. Baseado em exemplos e mais exemplos afirmo sem dúvida: não há atualmente na música maior virtude do que não se levar a sério! E essa parece ser a bandeira da banda. Temos aqui um disco que transborda descontração e que reafirma a tese provada há pouco com a volta do AC /DC de que, diferente de muitas tendências do rock, o Hard Rock “old school” nunca sai de moda!